Só pensando

Ultimamente tenho pensado bastante no quanto é complicado ser adulto, em todos estes deveres, obrigações, responsabilidades e etc.

Quando criança, torcia para o tempo passar o mais depressa possível, pois a maioridade me traria – segundo acreditava – a mágica trinca sexo, drogas e rock ‘n’ roll, com o futebol permeando tudo.

Acontece que tenho 24 anos, não jogo futebol, jamais usei drogas, ouço folk e estou solteiro há um bom tempo.

Resumo da ópera: As coisas eram bem mais simples na minha infância, onde felicidade era encontrar dois Tazos num pacote de Baconzitos.

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BC – Vamos viajar no tempo?

O blog Vidas Linha da Mylla Galvão está comemorando seu prieiro aniversário, e ela, para comemorar, propôs uma blogagem coletiva com o intrigante tema “Vamos viajar no tempo?”.

BLOGAGEM DO VIDAS LINHA - NÍVER

Se pudesse viajar no tempo, com certeza voltaria a 1996, meu melhor ano no colégio.

Em diversos aspectos foi um ano especial, tinha bons amigos que se mudaram no fim do ano, deixando uma lacuna que custou até ser preenchida, tinha uma boa professora e meu irmão ganhou um Super Nintendo. Também iniciei uma coleção de tiras de jornal com mais três amigos, mas as coisas não foram muito bem e a “sociedade” foi desmanchada. Fazer  o quê, essas coisas sempre trazem brigas e desavenças.

Me lembro bem que durante este ano a professora – estava na 4ª série do primário – montou um cantinho da leitura no canto da sala, bem no “V” da parede, que levou alguns dias para ficar pronto e contou com a colaboração de todos, cortando figuras, bandeiras, letras, pintando desenhos e tendo mil idéias um tanto quanto difíceis de se executar. Logo na “inauguração” uma desavença, ninguém ali sabia que no cantinho da leitura não se podia contar piadas. É vivendo e aprendendo.

1996 também me marcou por ser ano político, e, principalmente, por ser o ano no qual aprendi o quanto a política pode ser injusta. Resumindo a ópera, “nosso” candidato foi derrotado e o vencedor fez questão de se vingar – isso acontece muito em cidades pequenas – tanto que meu pai, que era funcionário público, teve de arrumar mais um emprego para dar conta do recado.

Mas no todo foi um ano feliz, e me lembro dele com o peito carregado de saudades. Como era bom ser criança….

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À Mylla meus parabéns, e muitos e muitos anos de vida ao Vidas Linha!

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Matemática submarina

Eu não entendo a matemática do Submarino e seu sistema de léguas.


No momento da compra, R$1,00 equivale a 1 légua.

No momento da troca, 1 légua equivale, no máximo, a R$0,01.

Assim, para ter seu 1 real gasto em compras de volta na forma de léguas, você precisa acumular 100 léguas, ou seja, terá que gastar R$33,33.

Claro que já é alguma coisa, a grande maioria das lojas nem tem programas assim, mas fiquei meio decepcionado, pois preciso de 7.500 léguas para ganhar R$50,00. Tá muito longe.

Dá mais resultados usar a Nota Fiscal Paulista e torcer para ter seu bilhete sorteado.

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BC – E meu Oscar vai para…Menina de Ouro

Aos 45 48 do segundo tempo consigo finalmente postar minha participação nesta blogagem coletiva proposta pela Vanessa do Fio de Ariadne, passei o dia todo sem internet, mas parece que agora tudo já foi normalizado.

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Pra começo de conversa me senti tentado, logo que soube da coletiva, a falar sobre Rocky, Um Lutador, ganhador do Oscar de melhor filme em 1977, mas como ele é O Filme de Minha Vida, e postei sobre ele na BC também proposta pela Vanessa, achei que seria uma boa oportunidade para falar de outros filmes que levaram para casa a famigerada estatueta.

Conferindo a lista de ganhadores, me deparei com alguns que já assisti, como Oliver!, que assisti com meu pai numa noite de Natal, e que ele categorizou como o filme mais estranho que já havia assistido. Não posso discordar de todo, não sou fã de musicais, e como quase sempre acontece com livros que viram filmes, o título é bem melhor nas mãos de Dickens que de Carol Reed. E também tiveram todos os clássicos que sempre passavam na tv e eu nunca assisti, pelo menos não completamente, como Conduzindo Miss Daisy, Carruagens de Fogo, Platoon, E o Vento Levou…, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, e etc. 

No fim resolvi falar sobre Menina de Ouro, e demorou algum tempo até que percebesse que este, assim como Rocky, é um filme sobre boxeadores, o que me leva a me perguntar, intimamente, por que a temática me atrai tanto. Mas não é o momento para começar com achismos, então vamos ao filme.

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Lançado em 2004, Menina de Ouro (Million Dollar Baby) conta a história do encontro e união entre Frankie Dunn (Clint Eastwood), um treinador experiente e fechado para o mundo, que troca poucas palavras apenas com seu amigo, o ex-boxeador Eddie Dupris (Morgan Freeman), e  Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) uma jovem determinada a se tornar uma lutadora – apesar de um tanto velha para isso – e assim poder mudar sua realidade de vida.

E aí o filme me pega. Se lembram de Rocky, a mais bem sucedida e reconhecida representação do sonho americano? Pois bem, Clint Eastwood toca no mesmo assunto. Temos o lutador desacreditado, o treinador casca-grossa e o sonho de vencer. Tá, Hillary Swank não tem todo o charme de atuação de Stallone em Rocky, mas, assim como o Rambo, constrói um personagem por quem todos se apaixonam e pelo qual torcem piamente.

É emocionante assistir às primeiras cenas, onde Eastwood se recusa a treinar a aspirante a boxeadora, e, quando o faz, percebe-se nos olhos dela que teria uma chance na vida, que tudo poderia ser diferente. Daí pra frente é spoiler demais num post só, então paro por aqui.

Menina de Ouro é um filme que vale a pena ser assistido, que te faz pensar – e ter vontade de chutar o traseiro da mãe de Maggie e esbofetear uma lutadora com mais esteróides que o cachorro do meu vizinho (se já assistiram ao filme sabem de quem estou falando, se não, ao assistirem saberão). É uma história de sonhos impossíveis que se realizam e se tornam castelos de areia, de um amor profundo pelo ser humano que acaba por cobrar um alto preço. Como disse o próprio Eastwood, este não é um filme de boxe, é um filme sobre uma relação entre pai e filha. 

É mais uma obra prima de Eastwood.
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Menina de Ouro concorreu a 7 Oscars, tendo ganho 4 delas:
  • Melhor Filme
  • Melhor Direção – Clint Eastwood
  • Melhor Ator Coadjuvante – Morgan Freeman
  • Melhor Atriz – Hillary Swank

E não é que o site oficial ainda está no ar?

Mais participantes da blogagem aqui.

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[UPDATE] Lista de participantes da "Promoção O Silmarillion"

Abaixo a lista dos participamtes da promoção, por ordem de inscrição. Hoje, às 20:00 efetuarei o sorteio através do Random.org, e postarei o vencedor e um update neste mesmo post.

Lembrando que o vencedor deverá entrar em contato em até 7 dias para informar o endereço de entrega do livro, seja por meio de comentário ou e-mail, devendo enviá-lo para lucianoassantos@gmail.com.


Boa Sorte a todos os participantes.
  1. Elaine
  2. Mylla Galvão
  3. Lívia
  4. Pablo Bijit
  5. Chica
  6. Elaine
  7. Elaine
  8. Mylla Galvão
  9. Mylla Galvão
  10. Pablo Bijit 
  11. Pablo Bijit
  12. Chica
  13. Chica
Destaco que os números 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13 se referem àqueles que divulgaram o banner da promoção em seus blogs.

Até às 20.

:: UPDATE ::

E saiu o vencedor!! Como pode ser visto na imagem abaixo (clique para ampliar) o vencedor foi o participante de número 9, a Mylla!



Parabéns Mylla Galvão! Por favor entre em contato por e-mail. Aos demais participantes, Lívia, Elaine, Pablo, Chica, muito obrigado por participarem e divulgarem a promoção.

Até a próxima.

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BC – Como transformar nosso planeta num mundo melhor

Que a coisa está feia ninguém pode negar. Estamos vivendo um tempo de extremos, onde o meio termo não existe ou nada significa. Ou é calor ou é frio. Ou somos bons ou maus. Ou colaboramos para criar um mundo melhor ou assistimos tudo de braços cruzados.

Não existe um meio termo pois ele nada ajudaria a mudar a situação. Ninguém pode se comprometer “só um pouco”, ou fazer meia boa ação. Ou se faz ou se fica parado assistindo e sendo atingido pelas consequências.

selodevaneios

Muito se fala de que nós, seres humanos não temos consciência do que está acontecendo; discordo completamente, temos total consciência, pois somente se fôssemos homericamente imbecis é que ainda não saberíamos de nada. O argumento do eu não sabia não é mais válido. Todos sabemos, mas será que fazemos alguma coisa para mudar este quadro? Será que estamos fazendo o suficiente para anular interferências que datam de milhares de anos? E, principalmente, será que estamos dispostos a abrir mão de tudo o que a modernidade nos proporcionou, a um preço, muitas vezes, alto demais?

Dizem que devemos transformar o planeta, mas, sinceramente, creio que seja uma tarefa quase impossível num mundo onde só se pensa no lucro, na vantagem e em rendimentos. Já o modificamos demais ao nosso bel prazer, agora estamos colhendo tudo o que foi plantado. Também dizem que uma boa saída é conscientizar. Eu pergunto a quem? A quem já está consciente de tudo o que está acontecendo?

Se fazer nossa parte nos conforta, então é o que deve ser feito. Mude seu mundo e talvez inspire alguém a fazer o mesmo. Não adianta forçar mudanças hercúleas, temos que mudar a nós mesmos e aos poucos que nos rodeiam. Talvez assim possamos vencer uma batalha que a muito parece perdida.

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Este texto faz parte da Blogagem Coletiva proposta pela Andréia, do Devaneios do Cotidiano, em comemoração ao aniversário do blog. Temo que ela tenha fugido um pouco do tema e ficado um tanto quanto pessimista, mas, no fim, é o que penso.

Mais participantes podem ser vistos aqui.

E à Andréia, parabéns pelo aniversário do blog!

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Sobre o BBB e Eleições

Sou um cidadão que nunca elegeu um Presidente da República, mas que ainda não perdeu um voto sequer no BBB10.

Isto pode significar duas coisas:  ou que o Ciro Gomes jamais ganharia um Big Brother, ou que o Marcelo Dourado deve ser o novo Presidente do Brasil.

Ou talvez não queira dizer nada. É puro achismo.

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5 melhores álbuns que estou ouvindo

Primeiro um esclarecimento: não os ouvi por inteiro e, sinceramente, duvido que alguém o faça. Um álbum com 12 ou 16 músicas é uma obra muito grande para se ouvir por inteiro, então acabamos nos apegando àquelas que se tornaram a música de trabalho da banda, ou, no máximo, vamos até a metade, onde, cadencialmente falando, o auge musical deveria ter sido alcançado. Mas este post já tem conjecturas demais.

Então, partindo para o que interessa, faço esta pequena lista com base nas músicas que mais estou ouvindo no momento e a que álbum ela pertence, o que pode levar a uma imensa contradição quanto ao gosto musical e tudo o mais, mas fazer  quê, quem disse que listas são coerentes?

1. Hi InfidelityREO Speedwagon (1980)

hiinfidelity

Nem me lembro ao certo da maneira como conheci o REO Speedwagon. O que sei bem é que não demorou muito para me tornar fã. Hi Infidelity, de 1980 é o nono álbum de estúdio da banda, tendo sido o álbum de rock mais vendido daquele ano e trás uma das minhas músicas preferidas da banda, que é:

A mais ouvida. Take It on the Run: Um rumor, uma menina, um menino e um pouco de esperança que tudo não passe de um mal entendido. Com uma guitarra marcante, a música começa mansinha e progride até chegar ao ápice. Só posso dizer que é ainda melhor ao vivo.

2. Together Through LifeBob Dylan (2009)

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Uma coisa é certa: Bob Dylan nunca fará um álbum como Desire, de 1976. É claro que, de lá para cá, ele lançou muita coisa boa, como Time Out of MInd de 1997, mas nada supera sua – ao menos na minha opinião – obra prima. Este Together Through Life me agradou cerca de 70%, o que de fato não é tão ruim, mas é muito abaixo do que esperava de um de meus artistas favoritos.

A mais ouvida. Beyond Here Lies Nothing: Primeira música de trabalho do álbum, é uma música romântica onde o bom e velho Bob diz a sua amada que não pode viver sem ela e o amor que chamam “deles”, com uma pegada que – contra a minha vontade – me lembrou o velho oeste! Viva Dylan e seus melhores dias.

3. Skeletal LampingOf Montreal (2008)

SkeletalLampingCover2

Vi uma vez um entrevista dos integrantes do Franz Ferdinand onde citavam o Of Montreal como uma das melhores bandas que estavam ouvindo. Eles até mesmo elogiaram o fato de serem bastante experimentais e alternativos, o que é muita esperteza da parte dos caras do Franz Ferdinand admirarem a alternatividade alheia enquanto suas músicas são e continuam bem redondinhas. Of Montreal é uma banda para se ouvir no mp3, a não ser que você esteja disposto a enfrentar todos os olhares tortos que seus vizinhos direcionarão para você. O interessante é que o vocalista, Kevin Barnes, criou uma personagem para narrar o disco – no caso um transexual negro de 40 anos chamado George Fruit, que usa de seus mais diversos tons de voz para narrar suas peripécias.

A mais ouvida. For Our Elegante Castle: Com algumas conotações sexuais – ao menos que minha mente seja bastante suja, o trecho We can do it softcore if you want / But you should know I take it both ways, é bem espertinho. A música empolga com uma batida bem ritmada e vocais perfeitamente sincronizados. Só não chamo de pop dançante porque seria quase que uma ofensa.

4. InvincibleMichael Jackson (2001)

invincible

O obscuro álbum do Rei do Pop que a Sony gastou milhões para produzir e depois tirou das lojas por birra do presidente da gravadora. De um modo geral é um álbum diferente dos anteriores na medida em que é mais maduro e não tão cheio de força quanto Dangerous, por exemplo, talvez isso se deva a Michael ser um artista mais experiente e consciente da sua realidade quando o compôs, ou talvez não. Só sei que é diferente, e, justamente por isso, melhor.

A mais ouvida. Unbreakable: música que abre o disco e onde o moço se diz intocável, inquebrável e que tem uma temática bastante biográfica, como nos versos: Seems like you'd know by now, when and how I get down / And with all that I've been through, I'm still around (Mais ou menos: Parece que você já sabe, quando e como eu danço / E com tudo o que eu passei, eu ainda estou aí)

5. Lost HighwayWillie Nelson (2009)

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Sinceramente nunca havia escutado nada de Willie Nelson até topar com seu novo cd. Não tenho base para traçar comparativos ou coisas assim, mas estou curtindo bastante, é bem mais comercial que esperava.

A mais ouvida. Maria (Shut up and Kiss Me): O trecho a seguir dá uma boa idéia do clima da música: Maria, shut up and kiss me / Stop shaking, stad up and hold me. / I bet you’re gonna miss me. / You need me, believe me. / Maria shut u and kiss me. / You’re crazy and it turns me on and on / The way of carrying on.

Até que a lista não ficou tão incoerente assim. Como diria John Denver: Thank’s God, I’m a country boy!

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[Re] O Carnaval e eu

Publiquei este post no dia 14 de fevereiro de 2009, como parte de uma blogagem coletiva sobre o Carnaval proposta pela Tine Araújo. Este ano a Mylla Galvão, do Idéias de Milene sugeriu um tema parecido para uma blogagem, então resolvi republicar este post, uma vez que as minhas lembranças de Carnaval ainda são as mesmas.
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A Tine Araújo propôs, então vamos atendê-la.

A idéia é falar sobre coisas ou fatos que aconteceram no Carnaval. Bem ou mal, todo mundo tem uma história de Carnaval.

Nunca fui fã de Carnaval. Por aqui, nos 3 ou 4 dias de festa tocam axé, pagode e sertanejo, ou seja, tudo o que eu não gosto. De uns tempos pra cá também estão tocando funk, mas, por mais que me esforce, não consigo me imaginar dançando o créu sem um generoso sentimento de ridículo.

Em cidade pequena festas como estas dependem diretamente da prefeitura municipal, se não há verba, não há festa, simples assim. Pra minha felicidade, quase sempre não há verba, então...bem, então resta assistir aos desfiles pela Globo, o que é bom, pois é uma festa pra gringo ver, mais organizada, bonita e eróticamente competente :P

Tenho duas lembranças distintas de festas de Carnaval que participei. Na mais antiga devia ter uns cinco anos de idade, e minha mãe me fez ir a uma matinê, debaixo de um sol dos infernos usando um ridículo chapéu de plástico amarelo com uma pena enfiada numa fita.

Estava ridículo, no mínimo gay, mas tinha apenas cinco anos... Nunca me senti tão deslocado, "A pipa do vovô não sobe mais" e "Ai, a bruxa vem aí..." se repetiam a exaustão nos alto-falantes, e naquele tempo já desconfiavam do Zezé e sua cabeleira. As crianças dançavam feito doidas, resolvi ir dançar também. De cara olharam meu chapéu, apenas EU estava usando um em todo o clube, sem pensar duas vezes o arremessei como um frisbee fazendo ele sumir no meio da pista, os moleques gritaram, aplaudiram e me estenderam o braço, "simbora dançar", no esquema das correntes, ou seja, um com o ombro no sovaco do outro. Se você era um garoto magrelo de cinco anos não devia ficar na ponta de uma corrente que girava para todas as direções por todo o clube, ainda mais se seus companheiros fossem maiores que você, ou então correria o enorme risco de ser arremessado para longe numa guinada mais brusca.

Claro que foi o que aconteceu. Sai meio que voando meio que me debatendo pelo chão até parar uns metros à frente, duvido que meus companheiros de corrente tenham percebido alguma coisa, aliás quase ninguém percebeu, a não ser quando outras três correntes foram ao chão depois de me pisotear. Não me lembro quem me ajudou a levantar e me levou pra casa, minha última lembrança é ver o garoto que mais me olhou torto por causa do chapéu estar dançando com o meu chapéu enfiado na cabeça; e o Silvio Santos ainda mandava a ver na cantoria com seu coração corintiano.

A segunda lembrança é um pouco melhor. Tinha 19 anos e quase me acabei de pular e beber numa festa de Carnaval, mas não, eu não estava comemorando o Carnaval, estava comemorando minha aprovação no vestibular da Unesp, uma coisa inesperada para quem apenas estudou em casa, ainda mais para quem só estudou geografia e história. Naquele ano, era 2005, tive motivos para comemorar, estava aprovado numa excelente universidade, e no curso de meus sonhos: Biblioteconomia.

Que eu me lembre, nunca antes tinha dançado ou bebido tanto, e poucas vezes estive tão feliz. Recebi uma avalanche de felicitações, de "você merece" ou "eu já sabia", e de velhos professores dizendo "eu fui professor dele", ao que a diretora da escola na qual sempre estudei (ela também minha ex professora) completava "e sempre estudou na nossa escola". Naquele ano me juntei a meu irmão, graduando em Física na Unesp, e minhas primas, uma graduada em Pedagogia na Unesp e mestranda na Unicamp, a outra graduada em Geografia na Unesp e mestranda na USP (as duas irmãs), e passei também, a ser uma espécie de atestado da qualidade do ensino público daqui. E, claro, naquele Carnaval também tiveram as cervejas grátis. Mas não passou disso, ou pelo menos o que posso contar aqui não passou disso.

Este foi um bom Carnaval como pano de fundo para a comemoração de uma realização pessoal, pena que não tenha durado tanto. Um mês depois adoeci, pensei que fosse morrer e de todos os cantos vinham parentes me visitar (acho que eles pensavam que sua visita era um tipo de extrema unção), e pra Biblioteconomia tive de dizer adeus.

Infelizmente não ficaram registros nem de A nem de B, nenhuma foto, nada. Só lembranças. Mas já é o suficiente. Ao menos para mim.

Este ano não teremos Carnaval por aqui, pois é, não teremos verba. Mas pra quem vai curtir a folia em algum lugar, peço juízo, e lembrem-se, pior que se separar do amor de verão é a gravidez pós Carnaval.

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Heróis não deviam envelhecer

Este post eu publiquei originalmente no dia 1° de Outubro de 2008, em outro blog que eu tinha. Sinceramente não me lembrava de ter feito back-up das postagens de lá, então fiquei feliz ao topar por acidente com um arquivo contendo todas elas, então decidi repostar esta, que foi uma de minhas favoritas, além de achar interessante como mudei - ou aperfeiçoei - minha maneira de escrever em pouco mais de uma no.

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Não, não deviam.

Nunca me dei bem com heróis que um dia envelheceram, talvez por que, sendo eles heróis, tenha imaginado que eram eternos, ou eternamente jovens, mas vê-los velhos não é fácil.

Minha primeira desilusão nesse sentido foi quando li O Menino Maluquinho, do Ziraldo. Como livro é perfeito, clássico absoluto, porém me deprimiu bastante o final, com o menino ficando adulto. Podem até dizer que esta é a ordem natural das coisas, mas e daí?

Pensem bem. Vocês achariam alguma graça num livro chamado "O Menino Maluquinho Agora Adulto", ou "O Ex-Menino Maluquinho", ou ainda "O Adulto Responsável pois Agora tem Família, mas que um dia já foi um Menino Maluquinho"? Eu não. A graça estava em ele ser um menino como eu (na época) e arteiro, mas ele foi crescer e me pôs em crise.

Mas o Ziraldo é fera nisso.Ele conseguiu me deprimir outras vezes, como em Flictz, não esqueço aquele final redentor "A Lua é flictz", ou para ilustrar melhor, com o também excelente "Uma Professora Muito Maluquinha". Quando este livro foi lançado eu devia ter uns dez  anos, mas só tive um exemplar em mãos aos  18 (e o li sem problemas, as obras de Ziraldo não têm idade). Ele é quase tão bom quanto O Menino Maluquinho, mas com um "fator deprimência" muito maior.Envelhcer a professora e seus alunos, e a recusa de um deles em vê-la na velhice mexeu comigo. Confesso que chorei. Ziraldo é foda e ponto. Se me perguntassem quem é o maior assassino de heróis da história diria sem pestanejar que é o Ziraldo.

No entanto, a culpa não é só do Ziraldo, então o problema não acaba aqui.

Me lembro do dia em que me abriram os olhos e me disseram que o Chaves não era criança. Pode parecer ridículo, mas eu, criança, acreditava que o Chaves era tão criança quanto eu. Minha mãe foi a responsável por eu saber a verdade. Não digo que ele tenha perdido totalmente seu brilho apartir daí, mas ele não suportou envelhecer tantos anos em tão pouco tempo, e caiu um degrau na minha preferência, ficando atrás de Chapolim.

Um outro exemplo clássico é Rambo. Rambo não devia envelhecer, afinal ele se embrenha na mata, vai ao Afeganistão, salva os inocentes e, de quebra, sutura os próprios ferimentos. Mas então vem o idiota do Stallone (que só foi perfeito uma vez na vida, em Rocky) e decide filmar Rambo IV. O filme até que é bom, tem uma boa dose de ação, mas o Rambo tá um caco: velho, acima do peso e desfigurado. Não que eu ligue para essas coisas, mas ele é um herói, e como tal deveria ser forte para que os cidadão indefesos se sintam protegidos. Pouco importa se usam uma cueca sobre a roupa, se forem fortes o suficiente nós, os indefesos,  nem vamos ligar.

E o Stallone não é idiota uma vez só, ele é grande demais pra isso. Antes de trucidar Rambo, ele ferrou Rocky. Justo Rocky, o lutador meio paspalho que conquistou o mundo e, até hoje influencia milhares de pessoas ao redor do mundo a praticarem boxe. Mais um herói "pro" saco.

Quem leu O Grande Mentecapto também deve ter sentido o envelhecimento de Viramundo, mas ao menos foi um envelhecimento simpático, e o tempo só fez aumentar suas qualidades, mas não escapou das garras do fim. Prefiro ele criança, parando um trem no peito.

Até mesmo o Super Homem morreu, ressuscitou e morrerá de novo conforme for a vontade da DC.

Dos meus heróis que restaram, temo por eles.

Pensando melhor, creio que o Ziraldo não é o maior assassino de herois que existe, ele ainda perde para o tempo, mas o tempo é um adversário hours concours, todos nós perderemos definitavemte para ele um dia.

De qualqer modo meus herois estão velhos. E eu? Eu que não sou heroi?

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Promoção – O Silmarillion

A bem da verdade era para eu ter lançado uma promoção no mês de aniversário do blog, mas, como estava às voltas com minha monografia, fiquei receoso de que não desse conta do recado e algo saísse errado, então somente agora darei o primeiro presente aos leitores aqui do blog.

Promoção

Para presentear meus queridos e inteligentes leitores, escolhi um livro de um de meus autores preferidos, JRR Tolkien, criador de toda a mitologia da Terra Média. Nada mais justo que dar de presente O Silmarillion, livro que narra muitas das lendas que foram vistas na trilogia do anel.
“O Silmarillion, publicado quatro anos após o falecimento de seu autor, é um relato dos Dias Antigos, a Primeira Era do Mundo. Em O Senhor dos Anéis, foram narrados os grandes eventos do final da Terceira Era; as histórias de O Silmarillion, no entanto, são lendas derivadas de um passado muito mais remoto, quando Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, habitava a Terra-média, e os altos elfos guerrearam com ele pela recuperação das Silmarils.”
É verdade que O Silmarillion está sendo vendido baratinho no Submarino, mas o presente, acreditem, é de coração. E para concorrer é muito simples, basta atender aos requisitos a seguir:
  1. Receber as atualizações do blog via e-mail – se ainda não recebe, insira seu e-mail no box “Receba no seu e-mail” ao lado e confirme sua inscrição;
  2. Deixar um comentário neste post até o dia 28 de fevereiro dizendo que quer participar.

O sorteio será realizado utilizando o site Random.org no dia 1º de março, e funcionará da seguinte forma: cada comentário de uma mesma pessoa ganhará um número de participação, assim, o primeiro a comentar será o nº1, o segundo o nº 2, e por aí vai. No mesmo dia entrarei em contato com o ganhador, que não terá nenhuma despesa com o envio do livro.

É importante destacar que:
  1. A postagem do comentário dizendo que “quer participar do sorteio” é sinal inequívoco de que está de acordo com as regras da promoção;
  2. A divulgação do resultado será feita no dia 2 de março, neste blog;
  3. Que o sorteado deverá fornecer um endereço de entrega em até 7 dias a contar da data do sorteio, caso contrário ocorrerá novo sorteio.
Aqueles que possuírem um blog e colaborarem divulgando o banner da promoção na sidebar do mesmo, ganhará mais 2 números para o sorteio, bastando deixar um comentário neste post avisando que está divulgando o banner.

::Copie o código referente ao banner no box correspondente e cole na sidebar do blog::

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Os números extras para aqueles que colaborarem divulgando a promoção em um blog serão contados a partir do último número que se refira a um comentário de participação, e obedecerão a ordem de confirmação da divulgação.

Parece complicado mas não é. Por exemplo, se tivermos 50 participações por e-mail, e 1 divulgação em um blog, teremos cupons de 1 a 50 para os assinantes via e-mail, e de 51 a 52 para os que fizerem divulgação.

Muito obrigado a quem participar, e boa sorte a todos!

UPDATE: Para simplificar, indicarei também nos comentários o número de cada um.

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O Churchill de cá

Se existe uma regra no mercado é a de que um grande sucesso ofusca a concorrência. É como se você tentasse ver um pássaro que passa voando em frente ao sol.

E o mundo está repleto de exemplos que mostram como o mercado é ingrato: todo o mundo reverencia Michael Jackson desde os anos 70, mas quem ainda se lembra de Billy Ocean? Quantos livros você já leu de Charles Dickens? E de Thackeray? E quanto tempo você leva para se lembrar de um contemporâneo de Shakespeare? Um grande nome faz com que, inevitavelmente, esqueçamos de outro. A própria filha de Thackeray sugeriu ao pai que escrevesse como o Sr. Dickens!

Mas, se as coisas já ficam difíceis quando um alcança maior notoriedade que o outro, o que dizer quando possuem o mesmo nome e sobrenome? Isto se deu com Winston Churchill, o estadista britânico, e Winston Churchill, o escritor norte-americano.

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Winston Churchill, novelista norte-americano.

No artigo A Tale of Two Winstons, publicado no The Book Bench – se ainda não lê não sabe o que está perdendo – discute-se como duas pessoas com o mesmo nome, contemporâneos e notórios acabaram da forma como acabaram, um “um titã da história contemporânea - o primeiro-ministro na hora mais escura da Inglaterra - enquanto o outro continua a ser pouco mais do que uma de suas notas de rodapé.” [1]

Tudo começou com o sucesso do livro The Crisis, do Churchill de cá, que até hoje, estima-se, vendeu cerca de 1,2 milhões de exemplares, e que chegou a ser creditado como do estadista britânico – o Churchill de lá –sendo que, segundo Warren Hollrah [1], mesmo nos dias de hoje o engano ocorre em sites de grandes livrarias, como a Amazon, que atribuem ao britânico obras do americano. O Churchill de lá chegou a profetizar para o de cá que havia o risco de que as obras deste, no futuro, fossem atribuídas àquele, em muitas das cartas que trocaram entre si.

O interessante é que, apesar de, no campo das artes, o Churchill americano ter alcançado um sucesso estrondosamente maior [UPDATE: conforme se pode ver no comentário da Luma logo abaixo, o Churchill britânico ganhou o Nobel de Literatura em 1953, então devo afirmar que o Churchill americano fez um sucesso estrondoso de público, mas o britânio levou o Nobel. Ao que parece, o Churchill de cá parou de escrever na mesma época em que o de lá começou a ganhar notoriedade, o que pode ter contribuído para seu esquecimento], o Churchill britânico é o mais lembrado.

Não vou entrar no mérito de discutir o que é mais importante, a política ou a literatura, até por quê minha escolha seria um tanto quanto óbvia, e como este blog não fala de política, o que me importa é o Churchill de cá, que a história tratou de jogar no fundo do mais fundo e esquecido baú, mesmo vendendo milhões de livros no século retrasado .
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Mais sobre a relação dos dois Churchills no post original do The Book Bench, e no Folton Sun [1].

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As Crônicas de Nárnia – O Sobrinho do Mago

O Sobrinho do Mago,  é o sexto e penúltimo livro da série, seguindo-se a ordem de publicação, porém é o primeiro na ordem cronológica [1] , e foi lançado originalmente em 1955.

osobrinhodomago

Na verdade estou lendo a edição de volume único, publicada pela Martins Fontes, que segue a ordem cronológica dos livros, o que tanto pode ser uma maravilha quanto um grande problema. Pessoalmente, preferiria que tivessem respeitado a ordem de publicação dos mesmos, pois se seguimos cronologicamente, apesar de facilitar bastante o entendimento, nos priva de algumas surpresas e questionamentos, como, por exemplo, a inevitável pergunta sobre como ou de onde Nárnia surgiu. Neste caso, temos a resposta logo no primeiro livro.

No entanto, isso pode ser considerado um mero detalhe e não ofusca a grandiosidade que Nárnia tem. É preciso deixar claro que, ao menos para mim, não devemos compará-la a O Senhor dos Anéis, pois desde o começo da leitura percebe-se que a obra de Lewis foca em um público mais jovem, que busca uma leitura mais descompromissada, sem a avalanche de detalhes que a famosa trilogia possui, em grande parte porque Lewis não possui o dom de guia turístico que Tolkien possuía – e não me apedrejem, isso foi um elogio! – o que o permitia escrever páginas e páginas de descrições de paisagens de tirar o fôlego.

Voltando ao livro, O Sobrinho do Mago conta como Nárnia foi criada, quem é Aslam e como os filhos de Adão e as filhas de Eva foram parar lá. Também vemos qual a origem da feiticeira, e ficamos sabendo que o mal existiu desde os primórdios daquela terra, cabendo a quem o causou tratar de expurgá-lo, pois a vida não é fácil nem mesmo nos reinos de fantasia.

Nárnia traz uma leitura fácil, empolgante, e nos leva em uma viajem a um mundo rico em vida e fantasia. Veremos onde O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa vai me levar.

[1] Wikipédia.pt

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O 3º Travesseiro

O Terceiro Travesseiro conta a história de dois amigos que são apenas amigos até que um deles resolve se declarar ao outro. A partir daí temos nuances de novela mexicana com sonhos adolescentes e duvidoso gosto culinário.

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Tomei conhecimento da existência do livro através deste post do O Que Elas Estão Lendo, intrigado resolvi ler.

Escrito por Nelson Luiz de Carvalho, o livro navega em mares de superficialidade, e, por muitas e muitas vezes, naufraga. Tudo soa irreal, parece um sonho adolescente – gay. E talvez seja. Nada convence ou faz sentido, o que só piora com a chegada do terceiro travesseiro, leia-se uma garota numa relação homossexual, que transa com ambos, que também transam com ambos e assim vai. É o sistema um por todos e todos por um.

Por mais que possa parecer preconceituoso, velhaco, quadrado ou sei lá o  quê, não consigo digerir, e nem acredito que as coisas aconteçam daquela forma. Lembram quando disse que era uma “novela mexicana com sonhos adolescentes”? Pois é: no decorrer da história vemos a viagem paga pelo pai de um deles, um relógio caríssimo e o papo cabeça com um primo. – Não, o primo não entra “no esquema”.

Isso porque pouparei vocês dos dotes culinários apesentado pelos dois!

O livro, se escrito de maneira diferente, poderia ter suscitado um debate saudável sobre aceitação da homossexualidade tanto pela família quanto pela sociedade, sem esquecer dos maiores e mais interessados envolvidos nisso tudo – os adolescentes homossexuais representados pelos dois. Porém o autor optou por chocar, e, definitivamente, não acho que tenha sido o melhor caminho para atrair atenção – apesar de ter vendido muito, mas aqui entramos naquela da relação entre sucesso de público e qualidade, sobre a qual falei aqui.

O que poderia ser uma bela historia de amor, foi reduzida a um livro pseudo-pornô metido a romance. O final pode te emocionar, mas o amor é tão frívolo, e Marcus, um dos personagens, tão fraco, que senti vontade de arremessá-lo na parede.

Pra finalizar, se querem boa literatura com temática homossexual, leiam O Diário do Farol, de Ubaldo, ou Bom Crioulo, de Caminha.

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Violência Gratuita

O que esperar de um filme acerca do qual o ex-presidente americano, George W. Bush afirmou ser “O filme mais terrível que assisti em anos”? Levando em conta a aterrorizante guerra contra o terror de Bush, boa coisa é que não.
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Violência Gratuita (Funny Games U.S.) atinge o status de arte ao mostrar uma dupla de psicopatas extremamente educados, limpos e de aparência tão acima de qualquer suspeita que mães de todo o mundo gostariam de tê-los como genros.

Remake do filme homônimo de 1997, dirigido pelo mesmo Michael Haneke, mostra uma família rumo a uma semana de férias que são feitos reféns pela dupla de psicopatas, que os “convidam” para participar de um jogo, e, sem tirar o sorriso do rosto, começam a atormentar e agredir suas vítimas, dizendo que, na verdade, a culpa é deles, e  se fossem um pouco mais educadas tudo seria mais fácil.

Em um dado momento, questionados pela esposa por que não os matavam de uma vez, respondem simplesmente que não teria a mesma graça; chegam a propor para a esposa que escolha como o marido deve ser morto: a facadas ou com um tiro.

Violência Gratuita tem de ser assistido, uma vez que não se pode descrevê-lo da forma como merece. Tratados de psicologia poderiam ser escritos com base nele, muitos ficarão chocados, dirão que é uma aberração, um zero a esquerda e um produto inútil. Não acho. Apesar de ter sido um fracasso retumbante de público, e, segundo o Metacritic – onde tem nota 41/100 – de crítica, é um filme que te prende sem precisar de efeitos visuais mirabolantes ou óculos 3D. É um filme que se mantém em pontos nos quais todo filme deveria se manter: em atuações convincentes, direção pontual e roteiro brilhante.

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